Escadas de segurança devem garantir evacuação em caso de incêndio



A escada de segurança de saídas de emergência é elemento obrigatório em empreendimentos com múltiplos andares. “O que a difere da escada comum é o tipo de proteção a ser fornecida para a caixa de escadas, a fim de garantir a segurança de uso em caso incêndio ou em outra situação”, detalha a arquiteta Rosaria Ono, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP).


Quanto maior a classificação de risco do edifício, avaliada pelo tipo de ocupação ou de uso, maiores serão as medidas de proteção a ser instaladas para garantir a segurança de seus ocupantes. A própria altura do empreendimento é um parâmetro de avaliação de risco. “Quanto mais alto for o prédio, maior será a dificuldade na retirada das pessoas com segurança. Assim, nesses edifícios, as escadas devem ser providas de medidas adicionais de proteção”, afirma.


COMO PROJETAR


Qualquer escada de circulação coletiva deve observar princípios básicos de dimensionamento, como proporção entre a altura do degrau e a largura da pisada, degraus e pisos uniformes, lances retos e patamares intermediários de descanso adequados, instalação de corrimãos e guarda-corpos, entre outros. Basicamente, pode ser considerada de segurança a escada de circulação coletiva que obedeça a esses requisitos e, ainda, seja equipada com meios de proteção adicionais. “Essas proteções se tornam necessárias à medida que as rotas de fuga verticais devem atender um maior número de pavimentos e de pessoas numa situação de emergência”, fala Ono.


O primeiro meio de proteção é o enclausuramento da estrutura com paredes resistentes ao fogo e de portas corta-fogo. As escadas resultantes são conhecidas como enclausuradas ou protegidas. “Essa ação pressupõe o atendimento às exigências de resistência ao fogo da estrutura e das vedações que a compõem, no grau exigido pela regulamentação ou norma vigente”, explica a professora, lembrando que esse tipo de escada é exigido em edifícios de média altura.

O segundo meio de proteção é a provisão de antecâmaras com ventilação direta ou indireta nos andares superiores e inferiores ao pavimento de saída do edifício, antecedendo a caixa de escadas. “Este tipo de escada, denominada à prova de fumaça, é geralmente exigido para edifícios altos”, ressalta Ono.


Por fim, uma terceira forma de complementar a segurança da escada, adicional ou não à provisão de antecâmaras, é o sistema de pressurização mecânica desses ambientes protegidos. No seu conjunto, ela também é denominada escada à prova de fumaça.


Segundo Ono, dependendo do tipo de uso e do risco da ocupação, em edifícios de múltiplos pavimentos com baixa altura, aqueles onde não é exigida a instalação de elevadores, as normas e regulamentações permitem que as rotas de fuga verticais sejam constituídas por escadas comuns, ou seja, com as condições mínimas de escadas de circulação coletiva atendidas. "São as denominadas escadas abertas, dimensionadas adequadamente para atender os ocupantes da edificação em caso de emergência”, avalia.


PORTAS CORTA-FOGO E PRESSURIZAÇÃO


As portas corta-fogo, assim como as paredes resistentes a chamas, devem estar presentes em todas as escadas de segurança, e sua montagem deve acontecer em conformidade com as normas que determinam as condições mínimas para instalação e funcionamento. “As portas corta-fogo, de forma geral, precisam atender às condições de estanqueidade, isolamento térmico e estabilidade, comprovadas em ensaio de resistência ao fogo em laboratório credenciado, e apresentar um selo de conformidade. As paredes de enclausuramento também devem atender às condições mínimas de resistência ao fogo estabelecidas nas normas e regulamentações vigentes", detalha a arquiteta.


De acordo com Ono, tais medidas de proteção visam evitar que os efeitos nocivos do incêndio (calor, chamas e fumaça) adentrem facilmente na caixa de escadas, transformando-a numa chaminé e comprometendo a saída segura das pessoas.


Já a pressurização é uma medida de proteção adicional à escada enclausurada, para evitar, principalmente, a contaminação da estrutura pelos gases quentes e pela fumaça produzidos no incêndio. “A pressurização depende do acionamento de equipamentos mecânicos (ventiladores) que produzem uma pressão positiva no ambiente a ser protegido (caixa de escadas e/ou antecâmaras). Esses equipamentos devem ser instalados em local adequado e seguro para que não sejam afetados pelo incêndio e para que os seus ventiladores não captem o ar exterior contaminado para realizar a pressurização”, adverte a docente.





Fonte: AEC Web

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